O Grupo JCA, controlador da Viação Cometa, mantém cerca de 500 ônibus seminovos à venda por meio da Renovebus, a empresa do grupo que comercializa os veículos que saem das operações das suas transportadoras. Em outubro, a Renovebus anunciou cortes de preço de até cerca de 15% em vários modelos, com valores que vão de R$ 170 mil a R$ 2,15 milhões.
Para quem compra ônibus usado, especialmente empresas de fretamento e turismo, é uma das maiores ofertas concentradas do mercado neste momento. O movimento acontece enquanto a Cometa se prepara para a temporada de verão 2026/2027, que inclui viagens especiais entre os aeroportos de São Paulo e o Porto de Santos para atender passageiros de cruzeiros.
De onde vêm os ônibus da Renovebus
O estoque reúne veículos de várias empresas do Grupo JCA: Viação Cometa, Auto Viação 1001, Auto Viação Catarinense, Expresso do Sul e Rápido Ribeirão. Por isso, um modelo anunciado não foi necessariamente usado pela Cometa. Os cerca de 500 ônibus foram divulgados entre agosto e setembro e incluem:
- ônibus rodoviários convencionais;
- modelos de dois andares (Double Decker);
- micro-ônibus;
- ônibus urbanos.
Entre as carrocerias rodoviárias aparecem Marcopolo Paradiso, Neobus New Road e Busscar Vissta Buss, montadas sobre chassis Mercedes-Benz, Scania e Volvo. Na Lat.Bus 2026, em agosto, a Renovebus chegou a expor três unidades, entre elas Double Deckers que rodaram na Cometa e na Catarinense e um micro-ônibus da 1001.
Faixa de preços anunciada em outubro
A lista divulgada em 8 de outubro tinha 22 configurações, com condições válidas até 31 de outubro ou enquanto houvesse estoque. Alguns exemplos:
- Marcopolo Paradiso 1050 com chassi Volvo B340R, 2012/2012: R$ 289 mil;
- Marcopolo Paradiso 1200 com Mercedes-Benz O500RSD, 2013/2013: R$ 425 mil;
- Marcopolo Paradiso 1800 DD com Scania K440, 2017/2017: R$ 978 mil;
- Marcopolo Paradiso 1800 DD com Mercedes-Benz O500RSDD, 2016/2017: R$ 1,15 milhão;
- Busscar Vissta Buss DD com Scania K440, 2021/2021: R$ 1,573 milhão;
- Marcopolo Paradiso G8 1800 DD com Mercedes-Benz O500RSDD, 2023/2024: R$ 2,15 milhões.
A presença de um Double Decker 2023/2024 mostra que a idade não é o único critério para tirar um ônibus da frota. Padronização, mudança de configuração e planejamento financeiro também pesam nessa decisão. Vale lembrar que os preços eram da campanha de outubro e podem ter mudado, então o ideal é confirmar valores e disponibilidade direto com o vendedor.

Venda de seminovos não significa 500 ônibus novos
O número chama atenção, mas precisa ser lido com cuidado. O estoque pertence à operação comercial da Renovebus e soma ônibus de várias empresas, então não quer dizer que a Cometa esteja tirando 500 veículos de circulação, nem que o grupo vá comprar outras 500 unidades zero-quilômetro. A venda dos usados pode estar ligada a renovações já feitas, e os veículos podem ficar disponíveis por um bom tempo, conforme as condições do mercado.
Mesmo assim, esse giro é importante para o setor. A venda dos usados ajuda a recuperar parte do valor investido e a financiar novos ciclos de renovação, além de movimentar financiamento, reforma, peças e manutenção. Para operadoras menores, comprar um seminovo de uma grande empresa costuma ser a forma mais viável de modernizar a frota sem o investimento de um ônibus novo.
O que conferir antes de comprar um ônibus usado
Preço de entrada mais baixo não garante custo menor ao longo dos anos. Antes de fechar negócio, vale avaliar procedência, quilometragem, histórico de manutenção, documentação e estado mecânico. Nos rodoviários, entram ainda a conservação da carroceria, a configuração das poltronas, o ar-condicionado, os itens de segurança e a adequação ao tipo de operação pretendida. Também é bom acompanhar as novas regras de vistoria de ônibus do Contran, que afetam a venda de usados.
Quem está buscando um veículo pode comparar as ofertas de ônibus usados anunciadas no VendasBus e pesar preço, ano e configuração antes de decidir.
Fonte: Diário do Transporte



